ponto de situação: porque blogo ainda?
Deparo-me com a pertinência da questão: para que mantenho um blog? Porque ainda blogo se raramente tenho opinião regular e fundamentada, pronta a partilhar com o mundo? Escrevo para a gaveta, fotografo com cuidado, revelo a conta-gotas. Para que vale isto, então?
Talvez valha para a maravilha, para o fascínio. Provavelmente para uma ideia de encanto, de baralhação e de perplexidade. Sistematizando, posso dizer que tenho um blog para partilhar coisas. Entre elas, para, a), enumerar perplexidades; b), rememorar fascínios; c), apresentar histórias nem sempre exactas e relatos imprecisos; d), divulgar actividades autorais e criativas que vou fazendo ou que outros, que tanto admiro e respeito, vão fazendo também.
A Desordem é, portanto, um espaço irregular. Um espaço lento nos dias da micro-informação rápida. Um espaço errante, que por isso recusa a regularidade e o cariz monotemático; que por isso muda de título ao sabor da errância. Um gabinete de fascínios, que elenca fixações e venerações. Um espaço contemplativo, que não pretende interpretar ou explicar a marcha dos dias e a razão das coisas. A Desordem é um espaço que não vale a pena. Por isso mesmo - por esse desejo de ser inútil – se mantém.